domingo, 18 de janeiro de 2015

Dadinho, a bala 100% paulistana com gosto de antigamente

Dia 25 de janeiro a cidade de São Paulo completará 461 anos. A cada ano diversas comemorações se sucedem, porém o IV Centenário foi especial quando se fala em celebração da cidade. Nesse ano obras grandiosas foram inauguradas como o parque do Ibirapuera, o Obelisco-Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 32 e até a Catedral da Sé reformada.

Nessa mesma data foi lançada a bala Dadinho, que consistia num doce macio, tipo bala, em formato de dado feito à base de amendoim e produzido pela fábrica Dizioli.

O Dadinho surgiu em 1954, na verdade, como uma homenagem ao IV Centenário de São Paulo e seu nome original, quando foi lançado, era IV Centenário. Ele é do tipo que “não dá para comer só um” e existe até hoje, sendo encontrado em bares, bancas de jornal, padarias e casas de doces populares, de forma avulsa. Mesmo após muitos anos ainda era comum a bala ser usada como complemento de troco.
O seu formato logo gerou o apelido de dadinho, que foi absorvido pelo fabricante e passou a chamar-se oficialmente então de Dadinho.

A bala em formato de dado, com destaque para o nome original
A embalagem é a mesma mas cada dadinho é embalado diferente
Destaque para a embalagem por dentro. Está novinha.

A composição do Dadinho não é das melhores para os conceitos atuais, e cada um tem 30 calorias. Comparei com algo também feito de amendoim e muito conhecido: a paçoca Amor, que tem o mesmo peso, mas em sua embalagem consta que possui 123 calorias. Também comparei com a bala Butter Toffee, que tem o mesmo valor calórico em cada uma. Acho que ainda é possível saborear alguma unidade para recordar a infância e seu valor simbólico!

Vejam (ou recordem) que bacana é a embalagem. Primeiro o papel é de cor prata metalizado, pioneiro na época de seu lançamento. Por coincidência ou não, um marco nas comemorações dos 400 anos de São Paulo foi a chuva de prata, com triângulos de papel prateado jogados do céu por aviões e brilhando pela iluminação colocada. 

A balinha
Embalagem aberta. Muito brilho no papel.
O papel prata possui muita informação, mas era uma celebração não? Há estrelas coloridas de vários tamanhos, bolinhas azuis e vermelhas, a palavra IV CENTENÁRIO em vermelho dentro de um retângulo amarelo e o nome DADINHO, na mesma cor, em tamanho maior, ambos em letras maiúsculas. Num terceiro retângulo amarelo há a inscrição SABOR TRADICIONAL.
Nas laterais da embalagem há, de um lado, texto informativo sobre os ingredientes e prazo de validade do produto e do outro, o nome do fabricante, endereço, etc, em letras vermelhas sobre uma faixa branca.
O detalhe mais representativo, porém, vou mostrar agora. Dentro de círculos azuis, em dois tamanhos, está gravado a imponente Espiral, símbolo criado por Oscar Niemeyer para a celebração do IV Centenário. A construção dessa obra teve problemas e não existe mais, mas a lembrança dela se mantém nos Dadinhos.

Embaixo à direita, a espiral de Niemeyer
A bala foi fabricada pela Dizioli até a década de 80. Após esse período houve outros fabricantes e atualmente é produzida pela empresa BONO GUSTO INDÚSTRIA E TERCEIRIZAÇÃO DE ALIMENTOS LTDA. 

As balas da foto foram compradas numa padaria ao custode 5 unidades por R$ 1,00, mas seguramente é possível encontrar melhor preço.

Vamos celebrar o aniversário de 461 anos de São Paulo oferecendo algumas balas e contando aos amigos a sua história?
 
Dadinhos, ou IV Centenários, em minha mão.









sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) EM PROCESSO

 Seguindo nosso programa de férias em São Paulo, vamos seguir de Metrô para um famoso museu e cartão-postal da cidade, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), que está num momento muito especial.
O passeio inicia pela parada na estação do Metrô Trianon-MASP, com seu bonito acesso de vidro e elegante cobertura que, para mim, remete ao formato do mapa de São Paulo.
Não deixe de observar também o semáforo turístico, bem em frente à entrada do museu, na faixa de pedestres. Este é um dos vários semáforos turísticos existentes pela cidade e tem o desenho do prédio do MASP que se ilumina, ao invés de mostrar uma simples luz.
Estação de Metrô Trianon-MASP
Fachada do MASP









Farol turístico em frente ao MASP

História da atual sede do MASP

O MASP é o maior e mais importante museu de arte ocidental da América Latina, sendo visitado por turistas e estudiosos de todo o mundo, além de ser muito querido pelos paulistanos. Muito famoso por seu acervo, o edifício em si já é uma obra de arte.

O prédio do MASP foi projetado por Lina Bo Bardi em 1958, para abrigar o museu criado pelo empresário paraibano Assis Chateaubriand, que estava localizado na Rua 7 de Abril, na sede dos Diários Associados desde 1947.
Assis Chateaubriand, bem-sucedido jornalista e empresário, apesar de ser grande admirador de arte não era um profundo conhecedor e então convidou Pietro Maria Bardi, jornalista, crítico e colecionador de arte na Itália, para auxiliá-lo a montar e dirigir o acervo do museu. Bardi realizou várias viagens pela Europa do então pós-guerra para selecionar e adquirir obras de arte, algumas raras, para o futuro museu e veio para o Brasil com a esposa, a arquiteta Lina Bo Bardi, cujo centenário está sendo comemorado este ano ( veja em http://www.blogdatesp.blogspot.com.br/2014/12/o-centenario-de-lina-bo-bardi-e-casa-de.html).

A busca de uma sede própria para o museu levou à próspera Avenida Paulista, onde existia um terreno antes ocupado pelo Belvedere Trianon, pertencente ao engenheiro Joaquim Eugênio de Lima e doado à prefeitura. Havia, porém uma condição por parte do doador do terreno: a vista para o centro da cidade e para a Serra da Cantareira teria de ser preservada, através do vale da Avenida 9 de Julho.
Para adequar o projeto arquitetônico do futuro museu, com as obras custeadas pela prefeitura, Lina brilhantemente idealizou o prédio com um bloco subterrâneo e um bloco suspenso a 8 metros do piso, cada um com dois pavimentos. O corpo principal é apoiado por duas grandes vigas e pousado sobre quatro pilares laterais, que permitem um vão livre de 74 metros, o maior do mundo na época. Com esse projeto a vista do vale foi preservada e hoje ainda pode se ter uma linda e arejada paisagem através do vão livre, além de possibilitar com conforto, dentre outros, a famosa Feira de Antiguidades que ocorre aos domingos.

A construção coube ao engenheiro e professor da Escola Politécnica José Carlos de Figueiredo Ferraz, responsável, dentre outros, pelo projeto da cúpula e das torres da Catedral da Sé.

Há um detalhe menos conhecido na construção do museu. Além de Assis Chateaubriand e os Bardi, outro nome, que não gostava de se expor, foi de importância fundamental. É Edmundo Monteiro, diretor executivo dos Diários Associados que, com seu cargo, negociava o apoio de anunciantes para arrecadar os fundos necessários à aquisição do acervo do museu, além de conquistar doadores e administrar a parte financeira incluindo a busca pelo local onde está o MASP hoje.

Foram 12 anos entre projeto e execução até que no dia 7 de novembro de 1968 a sede do MASP foi inaugurada com o discurso de S. M. Rainha Elizabeth II da Inglaterra, com grande pompa e sob os olhos da população nas calçadas. O prefeito era Faria Lima e Assis Chateaubriand falecera sete meses antes, não podendo ver a conclusão de seu sonho.

Atualmente o MASP é tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado e pelo Conpresp – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.
Vão livre do museu, com 74 metros
Elevador de acesso
Escadaria que lembra a da casa de Vidro, de Lina



Placa de identificação do edifício
 Acesso ao museu

Algumas dicas para visitar o museu podem ajudar.
- Dias de semana são menos concorridos.
- Há serviço de elevador para todos os pisos. O ascensorista, quando da minha visita, era super gentil e informava o que havia em cada piso quando parava. A dica, contudo, é subir pela escada. Forma-se uma fila para o elevador que desanima e atrasa a visita.
- O horário habitual de visitas é das 10 às 18 horas, mas esteja atento porque a bilheteria encerra meia hora antes.
O ingresso
- Às terças-feiras a entrada é gratuita o dia todo e às quintas-feiras é gratuita a partir das 17 horas e o museu fecha mais tarde, às 20 horas.
- Mesmo sem ter necessidade de pagar ingresso como às terças-feiras ou por motivo de maior idade ou infância, não esqueça de retirar o ingresso na bilheteria mesmo assim, para não ter que perder seu lugar numa possível fila de entrada.
- O ingresso, apesar de acessível, torna a visita ao MASP uma das mais caras, senão a mais cara vista a museu da cidade.
- Para quem for de automóvel, o MASP tem convênio com um estacionamento bem próximo, na Alameda Casa Branca, 41. Neste caso, também não esqueça de validar seu ticket na saída do MASP. Em meu caso esqueci, e a apresentação do ingresso ao museu não valeu. Acabei pagando o preço cheio.

MASP EM PROCESSO

À direita vista parcial da loja
À esquerda corredor ao fundo interditado para obras
O MASP está em processo de renovação institucional, tendo o ano de 2015 dedicado à exploração dos diversos acervos do museu. Com início em 20 de dezembro de 2014 e ocupando o primeiro andar e o subsolo do museu, o MASP EM PROCESSO é a primeira mostra pública dessa nova etapa. Desta vez não foi programada uma exposição de obras de arte na forma tradicional, mas sim, conforme o próprio MASP informa, “Há uma espécie de prólogo ou ensaio de transição. O que está sendo revelado ao público é justamente o processo de montagem, de pesquisa do acervo e do redescobrimento da arquitetura do museu”.

O objetivo central desse projeto é redescobrir a arquitetura original criada por Lina Bo Bardi, que foi se perdendo com as várias adaptações dos espaços do museu para cada mostra. Foram sendo colocadas como que camadas de falsas paredes e divisões de espaços que originalmente não existiam e a transparência de vidros foi ocultada. Agora, durante o MASP EM PROCESSO, algumas dessas camadas já estão visivelmente retiradas e grandes envidraçados, antes escondidos, clareiam espaços no museu.
Caminho para o restaurante UNI-MASP
Retirada de paredes do primeiro subsolo
Exposição das vidraças com vista para o Parque Trianon
Grande espaço aberto
No primeiro andar, o MASP EM PROCESSO exibe obras que não são expostas ao público com freqüência. A sala já está completamente sem paredes internas e fornece uma visão muito agradável ao entrar nela. À direita a parede está completa com obras de vários artistas, épocas e territórios. Na parede esquerda (de quem entra) é possível acompanhar a continuação da montagem da exposição, com a colocação de mais obras, aparentemente separadas por retratos individuais.
Vejam as fotos que fiz.
Galeria Orácio Lafer - MASP EM PROCESSO
Parede da ampla sala cm a colocação das obras de arte
Grupo trabalhando à vista do público
   Em breve poderemos ver obras arte expostas nos icônicos cavaletes de vidro de Lina Bo Bardi, como no início das atividades do museu.

O Retratro de Suzanne Block, de Picasso
Tela roubada em 2007 e logo recuperada
 Como as mudanças no museu estão sendo realizadas À vista do público, exposições mais antigas de parte do acervo seguem em sua apresentação tradicional. Uma exposição já em exibição desde 2010, “Deuses e Madonas – A Arte do Sagrado” era a mais concorrida pelos visitantes. São 40 obras-primas do acervo do museu, a maioria do século 14 ao 19, de artistas como El Greco, Botticelli, Tintoretto e Rafael.
Sala com padrão antigo. Divisões também me agradam.

A Deposição de Cristo (recém chegada ao museu) e A Lamentação
Escultura da deusa Higéia
Como as mudanças no museu estão sendo realizadas À vista do público, exposições mais antigas de parte do acervo seguem em sua apresentação tradicional. Uma exposição já em exibição desde 2010, “Deuses e Madonas – A Arte do Sagrado” era a mais concorrida pelos visitantes. São 40 obras-primas do acervo do museu, a maioria do século 14 ao 19, de artistas como El Greco, Botticelli, Tintoretto e Rafael.

Outros serviços no MASP

No MASP há uma cafeteria, localizada no primeiro subsolo, com algumas mesinhas para um lanche rápido. Bem ao lado fica a loja que, em relação Às lojas de outros museus da cidade, é pouco sortida e não tem as deliciosas lembrancinhas.

O melhor espaço de serviços do MASP é o restaurante, que fica no segundo subsolo. As portas abrem Às 11:30hs, um bom horário, e fecham às 15 horas. Sábados e domingos o funcionamento é das 12h às 16h e aceitam reservas.
O acesso até ele já revela tapumes sendo retirados e pelas vidraças é possível ver muita luz e o verde do Parque Trianon.
Voltando ao restaurante, o funcionamento é com esquema de self service, tendo incluso buffet de saladas, pratos quentes e sobremesas. O atendimento é regular apesar dos funcionários mostrarem boa vontade, penso que talvez por serem em pequeno número. O cafezinho é fundamental e foi muito bem servido. Quanto ao espaço, achei confortável e relaxante e há um simpático recipiente de vidro na saída onde cada um pode deixar seu cartão de visitas, com direito ao sorteio de refeições grátis. Não deixe de levar o seu. O buffet, com refrigerante e claro, o cafezinho, saiu por R$ 51,40, mais em conta que outros restaurantes de museus que visitei.
Buffet de saladas
Maminha com qinoa
Buffet de sobremesas
Deixe seu cartão de visita
Obras do Anexo do MASP

A limitação dos espaços no edifício do MASP para possibilitar ampliação de suas atividades como cursos, laboratório de restauro e atelier, exposições de esculturas ao ar livre, fez com que o MASP adquirisse o edifício bem ao lado, no quarteirão seguinte. É um abandonado prédio de apartamentos, de 20 andares, o Dumond-Adams, na esquina da Avenida paulista com a rua Professor Otávio Mendes. Poucos detalhes são fornecidos, mesmo pelos funcionários, mas é divulgada a participação de recursos da empresa de telefonia VIVO na aquisição do edifício destinado a acomodar o Anexo do MASP.

Obras da reforma e ampliação do edifício já podem ser vistas da rua, e no site do MASP é possível ver maquetes e ler, por exemplo, que no topo do novo edifício haverá um espaço cibernético com cafeteria, computadores com acesso à internet e conexão wi-fi e um observatório da região do Parque Trianon. Não vejo a hora de conferir e viver mais um pouco dos detalhes do MASP!

Obras do futuro anexo do MASP
Este é um momento único no MASP










segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Metrô da Sé - a maior e mais movimentada estação de Metrô da cidade

Seguindo nossos passeios de férias na capital e como que estivemos no Marco Zero vamos nos transportar de Metrô, já que a estação Metropolitana da Sé está a apenas alguns passos da praça homônima. Para acessar o post Marco Zero clique em http://blogdatesp.blogspot.com.br/2015/01/o-marco-zero-de-sao-paulo-de-jean.html

A estação da Sé existe desde 17 de fevereiro de 1978 e permite a integração entre as linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô. Segundo informações da Companhia do Metropolitano de São Paulo, a estação tem capacidade para transportar 100 mil passageiros por hora e possui uma área construída de 39.925m2.

Para a construção dessa estação foi necessária uma grande adaptação e ampliação do espaço da Praça da Sé, com a implosão de um teatro e de um edifício nos anos 70. Contudo, a bela, ampla e transitável praça, como a conhecem atualmente, é um legado direto da segunda reestruturação paisagística, de 1997.

O que há de especial na estação Sé do Metrô? Vamos entrar nela pelo principal acesso, a Praça da Sé. Após vencer a escadaria, sem esforço para quem quiser usar as escadas rolantes, você observará um projeto arquitetônico diferente para um espaço como esse. Você chegará a um amplo mezanino e já poderá admirar obras de arte e toda a estrutura em concreto aparente da estação. 

Entrada da estação com Catedral da Sé ao fundo
Escadas de acesso à estação Sé do Metrô
 O que há de especial na estação Sé do Metrô? Vamos entrar nela pelo principal acesso, a Praça da Sé. Após vencer a escadaria, sem esforço para quem quiser usar as escadas rolantes, você observará um projeto arquitetônico diferente para um espaço como esse. Você chegará a um amplo mezanino e já poderá admirar obras de arte e toda a estrutura em concreto aparente da estação.

Você deve parar e observar o vão central da estação. Lá há uma grande clarabóia, cuja abertura leva iluminação e ar natural até as plataformas subterrâneas e foi concebida buscando dessa forma uma maior integração da superfície com os ambientes subterrâneos. Ela é circundada ainda por propagandas e notícias luminosas, como um grande telão a céu aberto. É lá que se encontra também o elevador panorâmico para pessoas com dificuldade de locomoção.

Entrada com amplo espaço e obra de arte ao fundo. Parada para descanso.
Orelhões enfileirados. Notar o piso táctil.
Bicicletário no sábado à tarde
Grande clarabóia central e elevador


De cima para baixo: clarabóia, mezanino e dois pisos de linhas
 Ainda no mezanino da estação é possível acessar a internet sem fio gratuitamente, e os locais estão identificados com placas e adesivos, sendo esta a primeira estação de metrô a oferecer o serviço. O acesso é limitado em duração (20 minutos) e número possível de acessos simultâneos (200). A estação é pioneira nesse serviço.

A partir desse local central você descerá ao nível subterrâneo que necessitar para seu transporte, sempre acompanhado por piso táctil e pelo brilho do sol (ou a luz do dia) no centro da estação.

Trens nos dois níveis de plataforma. 
Como em várias outras estações do Metrô de São Paulo, há obras de arte permanentes, de reconhecidos artistas, sendo que na Sé elas são em número de seis, além de terem sido também as pioneiras.

Logo em nossa entrada a partir da Praça da Sé encontramos a escultura “Garatuja”, de Marcello Nitsche. Esta grande obra de metal de cor amarela intensa foi instalada à época da inauguração da Estação Sé, 1978. O local onde foi instalada permite a fácil visualização bem como o descanso ao seu lado dos passageiros ou visitantes do Metrô. Outra obra de autoria de Marcello Nitsche bastante visitada é a “Pincelada Tridimensional”, instalada no Parque da Luz, em São Paulo.
"Garatuja" de Marcello Nitsche
A segunda obra, feita em bronze com o pedestal de granito e instalada no mezanino central, é de Alfredo Ceschiatti e não possui título. Consiste na imagem de uma mulher reclinada que segura algo como uma bola na mão. Este artista é conhecido como o "escultor de Brasília" e criou a famosa escultura “A Justiça”, localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília.
Apesar de seus 3,05 metros de comprimento parece que não recebe os olhares da maioria dos transeuntes. É a minha preferida.

Sem título de Alfredo Ceschiatti
Detalhe da obra de Alfredo Ceschiatti
 Na linha 3-Vermelha, acesso norte está um mural em pastilhas de vidro de Cláudio Tozzi intitulado “Colcha de Retalhos” e datado de 1979. Ele foi escolhido pelo público, na época, dentre três maquetes apresentadas pelo artista.
"Colcha de Retalhos" de Cláudio Tozzi. Escolhida para um descanso.
 Ainda na linha 3-Vermelha, na plataforma central, há um mural maior, com 4,5 m x 11 m, pintado sobre o concreto e cujo título é “Como sempre esteve, o amanhã está em nossas mãos”. O autor é o santista Mário Gruber Correia. Esse mural em tons de cinza levou oito anos para ser concluído e trata, segundo o autor, de conquistas, vencedores e povos oprimidos. Tem desenhos de engrenagens e armas que remetem à violência do cotidiano. Um pêndulo branco separa duas épocas: o passado e o presente.

Parte central da obra de Gruber. Notar o pêndulo claro.
A quinta obra de arte da Estação Sé do Metrô, datado de 1986, é um painel chamado "Fiesta", de Waldemar Zaidler, realizado em tinta acrílica sobre madeira. Possui um desenho mais alegre e colorido, com figuras de palhaços e uma multiplicidade de imagens menores que parecem sair do clarim de um deles e ir longe, como o som do instrumento. Está localizada na Linha 3 - Vermelha, na plataforma sentido Corinthians/Itaquera.

Painel "Fiesta", de Renina Katz
Há também um outro tipo de painel, de Renina Katz, composto por 55 lâminas verticais de acrílico em tons de verde, sobre concreto, localizado no acesso sul à Linha 3 – Vermelha. Foi instalado em 1978 e não possui título. A estação é muito grande e esse painel não localizei em minha caminhada.

Fica a minha sugestão para conhecerem todo o acervo artístico do Metrô de São Paulo. Há um livro digital chamado Arte no Metrô, editado por A&A Comunicação Ltda, de 2012. Ele pode ser acessado em http://www.metro.sp.gov.br/cultura/arte-metro/livro-digital.aspx ou a partir do site do Metrô.

Para uma cidade grande como São Paulo e carente de melhorias no transporte público, estamos muito atrasados. Dados da Companhia do Metropolitano de São Paulo de 2014 informaram a existência de 74,8km de rede distribuídos entre cinco linhas, mas vejam com um pouco de detalhes como foi difícil o início.

Vários projetos existiram, desde o incrível ano de 1888, para a construção de vias férreas de superfície e posteriormente subterrâneas, partindo de vários pontos da cidade, todos rejeitados pela municipalidade ou por interferência de empresas privadas. Antes de ser cogitado o primeiro projeto para o que viria a ser o Metrô, em 1863 já era inaugurado o primeiro metrô, em Londres. Era década de 1960 e projetos para construção de vias férreas subterrâneas seguiam sendo apresentados e rejeitados por motivos políticos, avaliação de custo excessivo ou discordância de parecer sobre os projetos, até que em 1966 o prefeito José Vicente Faria Lima se dedicou à realização, formado o Grupo Executivo do Metropolitano (GEM) que organizou concorrência internacional que foi vencida por um grupo alemão-brasileiro chamado consórcio HDM.
No mesmo ano a Câmara Municipal aprovou a lei que autorizava a criação da Companhia Metropolitana de São Paulo - Metrô e em 24 de abril de 1968 esta foi constituída e iniciaria as obras da linha Norte - Sul. Em 1974, o primeiro trecho, Jabaquara - Vila Mariana, começou a operar comercialmente, com 17 km de extensão. Ainda não havia a estação Sé, que teve o início de suas operações em 17 de fevereiro de 1978, conforme contei acima.

O Metrô de São Paulo gerou grande modificação nos hábitos de transporte urbano da população, pode ser visitado e há programas para isso. Segundo o próprio site do Metrô, os programas objetivam informar e esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do sistema metroviário, destacar os atributos e os benefícios deste transporte, mobilizar e envolver escolas, empresas e instituições. É possível visitar o Pátio de Manutenção, Estações, Salas Técnicas, Centro de Controle Operacional - CCO ou Obras.

Detalhem para o mês de janeiro, quando várias estações oferecem opções de lazer. A Estação Sé apresenta a exposição fotográfica "Percorrendo São Paulo", e o "Festival de novos talentos da música".

Com tanta história, empenho e intenções de fornecer algo mais que transporte, temos que consideram que a necessidade real está mesmo na facilidade e agilidade de locomoção, por isso é compreensível a angústia gerada por uma composição atrasada por qualquer motivo que seja.

Vejo também que o desconforto gerado pela superlotação dos trens supera, para o frequentador diário, qualquer sensação de bem estar num espaço limpo e amplo, cercado de estímulos artísticos, mas é um futuro melhor que está sendo construído.
Acesso ajardinado com vista da Igreja de São Bento
Propaganda luminosa no nível central. Sol e sombra no piso mais inferior.
Sábado de muito calor. Nem todos têm pressa.




domingo, 4 de janeiro de 2015

O Marco Zero de São Paulo, de Jean Gabriel Villin

É início do ano novo e período de férias escolares. Durante o mês de janeiro postarei dicas de lugares para passeios mais longos e que poderão ser usufruídos por pessoas de qualquer idade. É claro, contudo, que você encontrará detalhes para descobrir em cada um deles.

Por onde se inicia a cidade de São Paulo? A melhor referência é o Marco Zero. Ele está situado na Praça da Sé na região central da cidade, bem em frente à Catedral Metropolitana da Sé, cuja cripta visitamos em post anterior (para acessar clique aqui)

O Marco Zero de São Paulo é antes de tudo um monumento histórico. Foi inaugurado em 18 de setembro de 1934 com a presença do recém empossado prefeito Fábio da Silva Prado e marcou definitivamente o centro oficial da capital paulista. Além disso, se tornou o primeiro marco zero em toda a América do Sul.

Como em todos os locais onde existe, o marco zero representa o centro geográfico da cidade, sendo um marco regulador das distâncias entre a Capital e os municípios. A partir dele todas as medições de distância relativas são estabelecidas, como numeração das ruas, quilometragem de rodovias e ferrovias. Algumas vezes representa também o local da fundação da cidade, como em nosso caso. Essa referência situa-se muito próxima da primeira construção de São Paulo, e local de sua origem. Era um barraco de taipa onde foi rezada a primeira missa com a participação de indígenas a serem catequizados, que em seguida deu origem a um colégio, que ainda hoje possui uma parede de taipa original. Esse local chama-se Pateo do Collegio.

No centro da Praça da Sé, ladeado por uma alameda de palmeiras imperiais (segundo informação confiável, vindas do Uruguai) e por estátuas como a do apóstolo Paulo e do padre José de Anchieta, pode se ver uma rosa dos ventos com o monumento sobre um pedestal de granito. O monumento do Marco Zero tem formato de um prisma hexagonal, mede 1,13m x 0,70m x 0,70m e foi construído em concreto revestido de mármore. 

Cada face lateral do monumento representa seis importantes lugares e são eles: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Santos, sendo que os quatro primeiros são os estados que fazem divisa com São Paulo e Santos, é claro, é uma importante cidade portuária. Cada um destes locais é simbolizado com uma gravura. O Paraná é representado por uma araucária; o Rio de Janeiro pelo Pão de Açúcar e por bananeiras; Minas Gerais por materiais de mineração profunda; Mato Grosso pela vestimenta dos Bandeirantes; Goiás é simbolizado por um utensílio em formato de chapéu chinês chamado bateia, com material de mineração que recorda o ouro e Santos por um navio, que na época transportava para o exterior a nossa riqueza, o café. As representações não são seguramente da forma como seriam feitas hoje, mas temos que recordar que o monumento foi projetado dois anos antes de sua inauguração ainda, em 1932.

Face representativa do Rio de Janeiro
Visão parcial da rosa dos ventos



Alusão à mineração de Minas e Goiás
Detalhe para os degraus do pedestal
 Em seu topo há uma placa também hexagonal, em bronze, que representa os principais pontos da cidade na época de sua construção, como os rios Tietê e Pinheiros, a Estação da Luz, o Museu do Ypiranga (como era escrito na época) e ruas como a Voluntários da Pátria na zona norte e rua da Consolação.

Topo de bronze do Marco Zero
Palmeiras imperiais e "sem teto" dormindo
A história dessa construção é do início do século XX, quando São Paulo não tinha um marco zero e a quilometragem das estradas era determinada por vários pontos espalhados pela cidade. O jornalista Américo R. Netto, membro da Associação Paulista de Boas Estradas, preocupado com essa ausência de centralidade, lançou a proposta de se criar um marco zero para a cidade em 1921. Indicou então o artista francês, naturalizado brasileiro, Jean Gabriel Villin para a concepção da obra e as ilustrações. A ideia de Américo Netto só foi aceita em 1932 e Villin concluiu seu projeto em 1934, que desde 2007 está tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (CONPRESP).

O acesso à Praça da Sé possui várias opções, contudo, o local sofre conseqüências da deterioração do centro da cidade como um todo. Apesar da presença de policiamento móvel, no local há questões sociais e de segurança, com usuários de drogas e sem teto, “intocados”, além de, como no dia que fui, músicos amadores que com seus instrumentos e danças atraem público e facilitam roubos aos distraídos. Você deve ir durante horários de maior movimento e, se possível, acompanhado ou seguindo grupos de turismo ao centro velho da cidade.

Detalhes:

- O mármore utilizado no monumento do Marco Zero é nacional e foi extraído de uma jazida do município de Cachoeira paulista.

- Dentre outros trabalhos, Jean Gabriel Villin também é admirado por ser o ilustrador das histórias de Monteiro Lobato.

- O atual marco na Praça da Sé é na verdade o quarto de uma série de tentativas de fixar um centro geográfico na cidade.
O primeiro marco ficava em frente à primeira igreja da Sé, de barro e palha, demolida em 1745, e a localização exata é incerta.
O segundo marco era a torre da segunda igreja matriz da Sé, também já demolida e, 1911.
O terceiro marco era um monumento criado ao lado dessa segunda matriz.
Após a demolição da segunda igreja da Sé houve um período em que São Paulo deixou de ter um marco zero e a quilometragem das estradas passou a ser determinada por vários pontos espalhados por várias regiões cidade, até a entrega do Marco Zero que conhecemos hoje. A nova Catedral só seria inaugurada em 1954.