segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

As tipuanas de São Paulo

Em plena floração nos meses de novembro e dezembro, as tipuanas são as árvores do momento. Se no início da primavera as sibipirunas coloriam a cidade, agora, no meio da estação, a cidade segue com seus tons dourados no céu e no chão com as flores das tipuanas. Embora com menor valor paisagístico que outras árvores como a sibipiruna ou o ipê, a árvore impressiona por seu grande porte e pela alta presença nos caminhos de São Paulo.

Tipuana florida

Linda vista da copa da Tipuana
De longe apresenta uma copa de tom amarelado e quando estamos próximos, as flores são mais nitidamente notadas. Como já falei, ela é uma árvore freqüente na arborização urbana paulistana e símbolo de alguns bairros mais antigos da cidade como os Jardins, Pacaembu e Alto de Pinheiros. Apesar do crescimento rápido, atualmente tem sido menos utilizada na cidade devido ao grande tamanho e agressividade de suas raízes.

Originária da Bolívia e norte da Argentina, a tipuana (Tipuana tipu), também conhecida como Amendoim-acácia, é uma árvore de clima tropical e subtropical. Pertence à família Fabaceae. Seu nome vem do rio boliviano Tipuani, onde vive no seu vale, uma zona montanhosa e de atividade de mineração.
As árvores medem de 10 a 15 metros, podendo alcançar até 20 metros de altura, têm ramos longos e densa folhagem.

Suas folhas são chamadas opostas e imparipinadas e na verdade não são folhas mas folíolos, que são subdivisões das folhas . São mais escuras e brilhantes na parte de cima e mais claras e foscas no dorso.

Detalhe das folhas

O tronco grosso e seus ramos irregulares têm superfície rugosa e com fissuras e coloração cinza escura, mas parecem verdes e felpudos porque ficam recobertos por vegetação. Essa vegetação trata-se de uma samambaia epífita nativa, a Microgramma vaccinifolia, ou samambaia-grama, que gosta da rugosidade e umidade do tronco da tipuana, porém não causa mal nenhum à árvore, utilizando-a apenas como suporte. Na verdade, quando presentes, deixam a árvore até mais bonita.
As tipuanas possuem madeira frágil e quando mais velhas são muito susceptíveis a quebras e à ação de cupins e fungos, podendo oferecer perigo quando descuidadas.

Detalhe do tronco

Raízes destruindo a calçada
Tronco com samabaias-grama 











Árvore faz sombra na rua











Flores da Tipuana

As flores são amarelo-alaranjadas com uma pequena mancha acastanhada na base e agrupam-se em numerosos cachos distribuídos pela copa, dando o aspecto amarelado e iluminado a ela.

Calçada e rua com as flores caídas
 Note o aspecto amassado da flor




















As flores amarelas da tipuana “concorrem” com as flores um pouco mais claras das sibipirunas quando se fala em sujar (ou enfeitar) as ruas e calçadas. Contudo, de forma diferente, as flores da tipuana são um pouco maiores e mais facilmente levadas pelo vento e varredura, sem produzir a substância pegajosa das sibipirunas.

Detalhe: as tipuanas de São Paulo estão, em sua maioria, com mais de 50 anos, já que foram plantadas antes dos anos 1950 principalmente pela Cia. City. Essa empresa, fundada em 1912, foi contratada no início do século para projetos de arborização urbana. Urbanistas ingleses criaram os bairros-jardins, como Pacaembu, Jardim Europa e Alto de Pinheiros, daí a alta freqüência dessas árvores nesses bairros atualmente.



Se você se interessou por este post clique aqui e leia meu texto sobre as flores amarelas das sibipirunas

domingo, 30 de novembro de 2014

5a Virada Inclusiva

O Dia internacional da pessoa com deficiência é celebrado todo dia 03 de dezembro e neste ano marca o início da 5a Virada Inclusiva de São Paulo.

A data comemorativa é promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem objetivos ambiciosos como promover maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência, mobilizar a defesa da dignidade e aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em vários aspectos da vida.

A cada ano é proposto um tema para reflexão e o de 2014 é: Desenvolvimento Sustentável: a Promessa da Tecnologia.

A Virada ocorrerá nos dias 3, 6 e 7 de dezembro em várias cidades do Estado de São Paulo, inclusive em nossa cidade.
O evento é gerido pela Organização Social de Cultura Abaçaí e conta com parceiros e colaboradores voluntários de órgãos públicos, instituições e sociedade civil, que realizarão diversas atividades culturais, esportivas e artísticas nas ruas, praças, parques, museus e teatros de São Paulo. Algumas necessitam agendamento. O evento busca possibilitar a integração entre as pessoas com e sem deficiência nas ações inclusivas programadas.
Como a Virada ocorrerá na próxima semana, não tenho como postar imagens ou informações pessoais, mas selecionei parte do programa do primeiro dia para terem uma ideia. 

- Exposição sobre o trabalho realizado pelo Zoológico de São Paulo com atividades com animais embalsamados
- Livros Falados
- Produção Literária em Braile
- Casa Sensorial Napolitana: A Casa Sensorial é uma instalação que recria o ambiente do presépio napolitano, exposto no Museu de Arte Sacra de São Paulo, a partir do estimulo dos sentidos do tato, olfato, audição e visão.
- Visita Multissensorial aos Núcleos do Museu Afro Brasil.
- Visita Sensorial ao Memorial da Resistência
- O que as árvores do Butantan nos contam? Valendo-se de recursos botânicos sensoriais, os participantes poderão conhecer um pouco mais algumas árvores brasileiras preservadas no Instituto Butantan
- Oficina de Dança Inclusiva: SESC Belenzinho
- Jogos Adaptados: SESC Santana
- Magic Hands: jogos de exibição de Basquetebol com atletas da Associação Desportiva para Deficientes
- Curta metragens e palestras

No site viradainclusiva.sedpcd.sp.gov.br encontrarão detalhes do programa completo.

Deixo aqui uma informação adicional. Você sabia que desde junho de 2014, São Paulo possui a Primeira Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência do país?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As onças do rio Pinheiros

Quem passou recentemente de automóvel, trem ou bicicleta ao longo do importante e atualmente muito poluído rio Pinheiros, provavelmente notou um novo detalhe em sua margem: a presença de duas onças infláveis de proporções gigantes. Elas têm um aspecto muito natural, principalmente a que parece estar bebendo água do rio.

A intervenção inédita “Hora da Onça Beber Água” faz parte da terceira etapa da exposição “Às margens do rio Pinheiros”, que teve início no dia 19 de setembro, Dia Mundial da Limpeza da Água. O autor é o artista Eduardo Srur, reconhecido por suas intervenções urbanas de grandes dimensões.

As onças medem 12 metros de comprimento por 4 metros de altura, fazem alusão a um dos animais símbolo da fauna brasileira e remetem ao tempo em que estiveram presentes nas margens do rio, antes da urbanização da cidade e da contaminação das águas. Sua localização exata é em frente à estação de trem Pinheiros.

Com apoio da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros a intervenção artística foi planejada para sensibilizar e conscientizar a população sobre a importância da recuperação desse rio e de seus afluentes, e estimular iniciativas de proteção e recuperação do famoso rio. Também é possível a colaboração financeira para auxiliar a causa do futuro do rio pinheiros, com recompensas na forma de obras ou objetos produzidos por Eduardo Srur.

Para mim, o tamanho e colorido das onças faz com que primeiro pareça que vamos ver algo lúdico, mas, antes de prestar maior atenção aos animais não é possível deixar de notar o rio extremamente poluído e fétido e refletir sobre esse sério problema da cidade de São Paulo.


Apenas mais uma observação a fazer: na divulgação pela internet, em vários sites, aparece a informação de que “as obras serão iluminadas por sistema de captação de energia solar já instalado próximo às margens do rio”. As fotos noturnas foram tiradas por mim em 05/11 e não havia qualquer iluminação exceto a luz da avenida. Uma pena, pois o acesso para fotos é mais difícil à noite e a Marginal do rio Pinheiros, bem como a estação de trem estavam lotados.


Aqui ficam dois endereços onde podem ser consultadas mais instalações desta e de outras obras do autor.
http://www.eduardosrur.com.br/#!eduardo-srur/cgjb
http://super.abril.com.br/blogs/planeta/artista-eduardo-srur-faz-intervencao-no-rio-pinheiros-em-sp/

Foto da Internet - atenção à poluição visível do rio

Onça parecendo beber a água contaminada - foto pessoal

Cartaz presente na estação de trem Pinheiros - foto pessoal

Foto da Internet





sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Outubro Rosa - Árvore da vida colore o Parque do Ibirapuera


O mês de outubro está terminando, e com ele as manifestações mundiais para conscientização sobre o câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce, o “Outubro Rosa”. Cada ano, monumentos e edificações iluminam-se de vários tons de rosa e assim chamam a atenção para este problema de saúde.

Neste mês em São Paulo notei fraca presença de locais coloridos de rosa, inclusive alguns apontados no site da Prefeitura onde não era possível identificar a tonalidade da luz nos momentos em que visitei, como o Monumento às Bandeiras e a Ponte Octavio Frias de Oliveira. Contudo, ao passar pela Avenida Pedro Álvares Cabral não é possível deixar de notar uma árvore de cor rosa intenso, localizada à beira do lago do Parque do Ibirapuera. Quem será que a observou tão visível à luz do sol quanto em sua iluminação noturna? Seria “de verdade”? Seria de plástico?

Agora vou contar do que se trata. Trata-se de uma instalação artística em forma de árvore, a Árvore da Vida, escultura chamada “Paineira”, toda feita com fios de alumínio pelo artista Paulo Bordhin. Ela faz parte de um grupo de mobilizações da campanha contra o câncer de mama do Instituto Avon, ficando iluminada enquanto observamos dança também rosa das águas na fonte multimídia do parque.

A árvore de alumínio, de 5 metros de altura, já foi exposta em outras ocasiões com a temática de transformação e abundância. Agora o público pode interagir com ela deixando um pensamento positivo e colocando um laço rosa, símbolo da campanha. No início do mês sem “flores”, os laços agora ocupam desde as raízes até o galho mais alto da árvore, formando a paineira completamente repleta de simbologia.

As fotos abaixo ilustram o que estou contando.

Vista noturna a partir da Avenida Pedro Álvares Cabral

O lago com a árvore ao longe








A árvore iluminada por trás de jatos da fonte




Vista da fonte multimídia em tons de rosa a partir do parque

A escultura Árvore da Vida - Paineira, à noite

Vista diurna da árvore de dentro do parque
Placa explicativa
Árvore repleta de laços rosa



Este é o meu laço

Ainda há tempo para visitar esse detalhe rosa de outubro em nossa cidade!

Para quem conheceu a árvore, qual a sua opinião?

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sibipirunas em floração na primavera


A primavera teve início há um mês e São Paulo agora ganha ares dourados nas ruas e avenidas. É época de floração das sibipirunas, árvores de grande porte e frondosas que mostram as muitas flores em grandes cachos amarelos no topo de suas copas. Muito frequentemente vistas nos caminhos da cidade, deixam no solo ao seu redor inúmeras pequenas florzinhas quase douradas que caem continuamente com o vento e mudam a cor das calçadas e até do teto dos automóveis estacionados.

O nome é desconhecido por muitos, que apenas admiram suas flores e sua sombra, mas que também podem queixar-se dos “tapetes amarelos” que necessitam várias retiradas ao dia para que a resina que soltam não torne mais difícil a verrudura. É uma árvore que se desenvolve com facilidade em locais ensolarados e devido ao seu rápido crescimento e grande poder germinativo, além da beleza ornamental, essa espécie é muito utilizada no paisagismo urbano e em projetos de reflorestamento.

Sobre essa árvore de flores tão expressivas, seu nome científico é Caesalpinia peltophoroides. O nome popular sibipiruna é originário da língua tupi e significa “raiz de casca preta”. É originária da Mata Atlântica brasileira e foi trazida pelo rei D João VI, que a introduziu no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Desenvolve-se com facilidade em climas tropicais e subtropicais, alcança de 8 a até 30 metros de altura e o tronco de 30 a 40 cm de diâmetro, podendo viver por mais de um século.

A sibipiruna tem folhas pequenas e compostas, denominadas pelos botânicos como bipinadas (forma de pena), ou seja, que apresentam formas multi-divididas insertas num eixo comum e lembram as folhas da avenca, formando uma densa copa. As raízes são poderosas, porém pouco agressivas para as calçadas. O tronco tem potencial madeireiro, sendo utilizado na construção civil, na produção de caixotes e até nas estrutura de móveis. Seu aspecto se modifica com passar do tempo, tornando-se escamoso.

O detalhe, porém, fica por conta mesmo é da floração. A sibipiruna produz na verdade, inflorescências, que têm as pequenas flores amarelas, de cinco pétalas, dispostas em grandes cachos eretos, como espigas. Curiosamente primeiro abrem todas as flores da metade de baixo, depois as da metade de cima da inflorescência. Sua localização, por cima das copas, permite um espetáculo à parte quando vistas de cima, como das janelas das casas, varandas e alto de prédios. A queda constante dessas delicadas florzinhas amarelando o chão é que completa a beleza de uma das árvores que mais marca a primavera na cidade de São Paulo.

Depois do período de floração que estamos observando no momento surgirão frutos achatados, como vagens, de tonalidade preta, com 3 a 4 sementes dentro. Quando maduras, essas vagens se romperão por torção, arremessando então suas sementes. Você provavelmente já as viu, porém não relacionou às lindas flores da primavera.

Há duas semanas venho buscando e fotografando sibipirunas e coloco aqui as fotos das árvores mais bonitas que encontrei. Elas estão por todos os cantos, em praças, calçadas e jardins de residências ou edifícios e foi até difícil escolher.


Sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides)

Copa arredondada e frondosa

Detalhe das flores

Detalhe das folhas
O tapete amarelo

Flor vista de cima
Florzinha com as cinco pétalas

Tronco escamoso

Sibipirunas embelezando rua da zona sul de São Paulo

Museu da Casa Brasileira guarda obra de Victor Brecheret




O Museu da Casa Brasileira é um museu elegante, bem cuidado e com espaço para aproveitar horas de relaxamento junto à natureza “incrustrada” entre movimentadas avenidas e muito concreto. O museu foi instalado na mansão construída nos anos 40 para servir de residência ao prefeito de São Paulo de 1934-1938, Fábio da Silva Prado e sua esposa, Renata Crespi da Silva Prado. Com o falecimento e por seu desejo, a casa foi doada por Renata ao poder público. É o único museu do país especializado em design e arquitetura, possui uma coleção permanente com mobiliário a partir do século XVII e realiza eventos e exposições itinerantes.

Depois de entrar no ambiente do museu a sensação é de voltar no tempo e de se imaginar que lá, na década de quarenta não havia museu, mas a residência de um casal da elite paulistana da época!
Após a visitação ao museu no piso térreo, no final da longa escadaria em espiral cercada por paredes azul “bic” estão objetos da coleção particular Crespi-Prado. Meu detalhe de hoje fica por conta do busto de Renata Crespi (1897-1984). Encostado em uma parede e perdido entre mobiliário, baixelas e quadros, o busto esculpido em mármore branco foi feito por ninguém menos que Victor Brecheret, sim, aquele que fez o Monumento às Bandeiras do Parque do Ibirapuera (ver foto). É bonito, até mesmo majestoso. No museu quase todos os objetos estão acompanhados de vasta explicação escrita. Pois bem, Renata Crespi, a proprietária original da antiga mansão, não está identificada e o nome do autor da obra, talhado no mármore V BRECHERET, tem que ser buscado junto à parede. É uma obra de arte singular e com certeza deveria estar permanentemente em destaque.

Visitem o museu, porém não deixem de conhecer mais uma obra de Brecheret, pouco divulgada e pela qual o público passa em total em desconhecimento.

sábado, 18 de outubro de 2014

Carrinho de comidas no MAM


Diariamente milhares de paulistanos, em algum momento do dia adquirem alimentos de vendedores ambulantes de comida dos mais variados tipos. É um hábito, um lazer, uma necessidade no cotidiano apressado.

Tão habitual nos parques paulistanos, o vendedor de comidas já está “incorporado à paisagem”, de tal forma que frequentadores podem passar por eles e nem mesmo recordar onde os viram.

No Parque do Ibirapuera está localizado o MAM, Museu de Arte Moderna, e é na sobriedade de uma de suas salas de exposição que está o detalhe de hoje.
Assim que foi transposta a entrada do museu, meu olhar desviou-se para a direita pela estranheza do que lá estava: um vendedor de comidas, com seu carrinho abarrotado pelos alimentos oferecidos no Parque, à disposição de um visitante que, contrariamente às instruções rotineiras dos museus, poderia consumir o produto comprado lá mesmo!





A performance, intitulada Vendedor de Comidas é do artista pernambucano Paulo Bruscky. Sua mostra, que questiona o ineditismo e a impermanência das artes plásticas, permanecerá no museu até o mês de dezembro. Nada melhor para explicar o Vendedor de Comidas do que o próprio texto do autor: “O deslocamento de um trabalhador do parque para o espaço do museu muda o grau de atenção do público para com um elemento absolutamente cotidiano”.

Neste post coloquei fotos da obra performática e de outros vendedores de comidas do parque, realizadas no mesmo dia. Há vendedores de alimentos pela extensão dos caminhos, carrinhos com melhor ou pior apresentação, localização ou sortimento de alimentos, porém, como no museu, estáticos, com o vendedor aguardando o olhar de algum frequentador.

Ao observar esses carrinhos em minhas fotos considerei que amanhã eles já não estarão mais como hoje, pois produtos serão adquiridos ou acrescentados e a impermanência da obra proposta por Paulo Bruscky será confirmada.