domingo, 22 de março de 2015

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano – como visitar num mesmo espaço arquitetura, museu, parque com mata atlântica e tomar chá da tarde

 Criada em 1975 e aberta ao público em 1980, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, localizada no bairro do Morumbi bem em frente ao palácio do governo do Estado de São Paulo, aguarda visitantes diariamente para conhecer suas instalações e tomar um chá da tarde com vista para seus cuidados jardins.

A casa foi residência do casal Maria Luisa Ferraz Americano de Caldas e Oscar Americano de Caldas Filho e seus filhos durante mais de 20 anos e tem uma bela história. Dois anos após o falecimento de Maria Luisa, Oscar Americano instituiu a Fundação, encarregando-a de manter e preservar a residência, seu acervo de obras de arte que o casal colecionava, a mobília de valor histórico, bem como seu parque. 

Parque e casa são classicamente representativos do Movimento Moderno de arquitetura, que foi marcado pelo racionalismo e funcionalismo, formas geométricas definidas, pouca ornamentação, grandes espaços livres sob as construções, grandes vidraças, integração da arquitetura com o paisagismo e com obras de arte. Tudo isso pode ser observado no ambiente da fundação.

Oscar Americano

Oscar Americano (1908-1974) era engenheiro formado no Instituto Mackenzie, foi mecenas e grande empresário, fundador da Companhia Brasileira de Projetos e Obras - CBPO, importante empresa especializada em obras de engenharia da década de 1970. Participou, como voluntário, da Revolução Constitucionalista em 1932 e casou-se em 1927. Como engenheiro executou, por exemplo, as Vias Anchieta, Anhanguera e Dutra. 

Como aproveitar melhor a visita 

Para facilitar e aproveitar melhor o passeio fornecerei algumas informações:

1. O endereço: Avenida Morumbi 4077. Você encontrará alguma sinalização para a Fundação em placas na Avenida Morumbi, porém ao chegar mais próximo, na altura do Palácio dos Bandeirantes, verá, no lado ímpar da avenida, um extenso e cercado muro de pedra e nenhuma numeração que possa ser identificada quando dentro de um automóvel em movimento. Vá até o final desse muro de pedra e vire à direita, pois o portão de entrada fica na realidade após a esquina com a Rua Joaquim Cândido de Azevedo Marques.

2. É informado que não há estacionamento durante a semana e que o carro deve ficar na rua. Foi a informação que o segurança da guarita imediatamente nos deu ao encostarmos o automóvel no portão. Mas não desistam. Bastou seguir uma dica que havia lido, ou seja, insistir um pouco, que, mediante o pagamento de R$ 15,00 pudemos estacionar o carro com segurança dentro do local.

3. Os ingressos custam R$ 10,00 sendo que estudantes e maiores de 60 anos pagam meia entrada e todo primeiro sábado de cada mês a entrada é gratuita. O pagamento também é feito no portão de entrada. Você receberá uma pulseira para utilizar durante a visita.

4. O que há para visitar? O percurso todo é dividido em Sede e 10 setores de Jardins. O chamado Pavilhão não estava disponível para visitação. Como não é uma visita guiada sugiro que ela inicie pela sede para que possa ser comprado o Guia do Parque (R$15,00), muito útil inclusive porque a identificação das espécies arbóreas não é tão perfeita assim. 

5. Ao entrar na casa para visitar o acervo, não é permitido fotografar e uma gentil funcionária uniformizada nos acompanhou todo o tempo, fornecendo informações e negando a permissão de obter fotos a cada solicitação que eu fazia.

6. Se for sennsível a picadas de insetos leve repelente pois a longa caminhada pelas avenidas cercadas pela densa mata tem muitos mosquitos e o prurido aparece na mesma hora.

7. Funcionamento: a Fundação está aberta ao publico de terça a domingo, das 10:00 às 17:30. Em outros horários podem ser reservados eventos privados.

Conhecendo a casa-sede


Após curto caminho pela Alameda Pau-Ferro chega-se à casa, toda cercada por vegetação bem cuidadas, projetada pelo arquiteto Oswaldo Arthur Bratke em 1952 a convite do amigo de infância Oscar Americano. A casa atualmente está tombada pelo Patrimônio Histórico da cidade de São Paulo.


Alameda Pau-Ferro leva à Fundação
Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
No Período Colonial a região de Mata Atlântica hoje ocupada pelo bairro do Morumbi foi desmatada para a instalação de fazendas de chá. Oscar Americano, já preocupado com a preservação ambiental, plantou novamente espécies de Mata Atlântica e algumas exóticas em seu imenso terreno de 75 000 metros quadrados. O paisagista ficou a cargo de Otávio Augusto Teixeira Mendes, então diretor do Horto Florestal, com o detalhe que seus serviços seriam pagos “por árvore de qualidade, plantada e vingada”.

A entrada na casa leva ao acervo. São muitos cômodos com ricas e organizadas coleções de obras de arte e peças históricas do período de Brasil Colônia e Brasil Império até a Proclamação da República, a obras modernistas da metade do século XX.

Logo é possível observar dois grandes óleos sobre tela que retratam os “anfitriões”. Maria Luisa foi retratada por Tony Koegl e a tela de Oscar Americano é de autoria de Nicola Carone.

À direita da entrada fica o único cômodo da casa que permaneceu intacto, a requintada biblioteca.

Antes de entrar: lindo Pau-Ferro e uma "espiadinha" na biblioteca
Vista dos dois pavimentos da casa
A calmaria da água e antes de entrar
Placa inaugural à entrada
Há oito pinturas do artista holandês Frans Post, que acompanhou o navegador Maurício de Nassau no século XVII e foi responsável pelos primeiros registros das paisagens brasileiras como Cidade do Interior, de 1654 e obras de artistas renomados e mais modernos como Cândido Portinari (Meninos e Piões - 1959), Di Cavalcanti (Cais) ou escultura em terracota de Victor Brecheret (Pietá).

Teatro com 300 lugares
Há pratarias inglesas como uma linda coleção de paliteiros, porcelanas do Caminho das Índias, arte sacra do século XVIII, tapeçarias, retratos, documentos e mobiliário da época imperial. É possível admirar também objetos curiosos como um sofá da princesa Isabel com detalhes em madrepérola uma coleção de botões de uniformes militares do Exército e Marinha imperiais do século XIX ou exercícios de caligrafia do menino Dom Pedro II. Adorei também o trono episcopal de Dom José.

Com pouco destaque, porém de grande interesse é uma peça da monarquia que está enquadrada, a bandeira que deu origem à bandeira nacional. Bem diferente da atual por sinal! Pena que não é possível fotografar. No nível inferior da casa há objetos sacros, o auditório,
No nível inferior da casa há objetos sacros, o auditório, um local para aquisição daquele guia do parque e também de que falei e também do Guia das Aves locais. Há a seguir um salão muito bonito e aconchegante, com móveis muito conservados e peças elegantes como pratarias, onde se pode
 tomar um chá (ou café) da tarde, que pode ser completo ou apenas com algum item selecionado. 
Há mesas também na parte externa e coberta do salão. Aos domingos ocorrem recitais e concertos e a programação está disponível para distribuição. Os salgados que comemos estavam muito fresquinhos e bem feitos e o bolo de Ovomaltine merece ser degustado.

Mesas sobre o mosaico de Lívio Abramo
Entrada do salão de chá
Aconchegante salão de chá
Piso inferior com outra vista do mosaico "Foz do Rio Amazonas"


A seguir, o Parque

Nesse vasto espaço de mata, cortado por alamedas com os nomes da vegetação local onde se pode fazer uma trilha, há aproximadamente 25 000 árvores, entre as quais angicos, sibipirunas, jerivás, os lindíssimos paus-ferro, paus-brasil e jacarandás. Siga o percurso sugerido no Guia para descobrir as sutilezas desse jardim, que se inicia quase que como um parque que abraça a retangular e envidraçada casa e segue com a visualização da escultura A Sereia, de Emanuel Manasse de 1955. No setor 5 há o início do bosque, o caminho inicia um declive e chega a uma bifurcação. Do setor 6 em diante há maior quantidade de árvores da Mata Atlântica,a vegetação fica mais densa e a claridade diminui para retornar no setor 7.

Começando a caminhada. Tronco de Bunya-Bunya em destaque.

Alameda ampla e sinuosa, com muita luz

Esculturas metálicas espalhadas pelo parque

Cada alameda com o nome de uma árvore

Asfalto substituído por arenito. Já há sol e sombra.

A mata fica mais densa e outras especies vegetais aparecem

Pelo caminho estão espalhadas várias esculturas metálicas e há bancos para descansar parar para admirar a fauna e a flora.

Setor 4 com Louro-de-são-paulo e outra escultura

Início do bosque.Caminho mais estreito.

É Mata Atlântica
 No setor 9 há palmeiras de-leque-da-china, tipuanas e palmeiras exóticas, que conduzem ao pavimento inferior da residência, cujo belo piso de mosaico português é intitulado “Foz do Rio Amazonas”, O autor é de Lívio Abramo, artista pioneiro da gravura brasileira, já na área residencial. Exuberantes paus-ferro indicam o acesso principal à sede.

Descida estreita
Olha o tamanho da aranha na frente da escultura!
Samambaiaçu, xaxim
No caminho de volta à sede
A Fundação é espaço amplo e agradável que proporciona um encontro com a natureza e com a história do Brasil. É um dos poucos locais onde pode ser vista Mata Atlântica remanescente no meio da cidade!

Casa-museu e o extenso parque






sexta-feira, 13 de março de 2015

Bless Optical: uma referência em óculos especiais em São Paulo. Como se iniciou essa arte?

Atualmente, óculos são peças, acessórios de moda que corrigem a visão, ou, no caso dos óculos solares, a protegem e confortam. Esta afirmação é tão verdadeira que eles são inclusive utilizados sem lentes corretivas para, por exemplo, dar charme adicional ou insinuar determinada característica, por exemplo, a personagens de cinema ou televisão.

Na verdade, em termo de correção a deficiências em áreas especificas da saúde, os óculos foram os únicos até o momento a passarem do patamar de objeto necessário para correção de doença a peça de valorização do aspecto. Eles refletem características de personalidade, podem ser variados conforme situações ou vestimentas podem ser produzidos com materiais nobres inclusive ouro e adornados com diamantes tornando-se jóias e eventualmente são até colecionados.

Sou uma admiradora desse objeto chamado óculos. Certa vez li uma publicação que apresentava, na divulgação de um espaço dedicado à óptica, uma foto de um exemplar diferente dos que já havia visto e fui visitar então o estabelecimento apontado.

A grata descoberta do local chamado Bless Optical e o afetivo atendimento pela equipe comandada por Paulo De Laurentis, por sinal, a mesma desde que os conheci, aumentaram meu gosto, conhecimento e, como não, aquisição de novos exemplares.

Fachada da Bless Optical
Vista parcial do espaço da Bless
Em São Paulo há mais de duas décadas, auxiliam seus clientes/amigos a usar as tendências da moda e da tecnologia a seu favor. São consultores, participando da escolha da armação mais adequada para o formato de cada rosto e da necessidade individual.

Este post apresenta esse local especial e único em São Paulo, que permite ao paulistano, homem ou mulher, o acesso às tendências de design de óculos e lentes mais modernos, sofisticados e atuais que existem pelo mundo sem precisar sair da cidade, alguns com exclusividade como os óculos da marca Vinilyze (das fotos), feitos de vinil e charmosamente apresentados sobre um antigo disco de vinil.

Também há os acessórios vindos de vários países como as valorizadas “correntinhas” para prender os óculos, porta-óculos de vários modelos, broches etc.

Correntinha com pequenos óculos
Corrente de cristais




Os” Blessers”, como são chamados, também podem ter acesso às novidades em estilo, cores, material, saúde e tecnologia acessando a revista digital do projeto da BLESS OPTICAL MAGAZINE.

Escolhi algumas fotos para mostrar esse local agradável para poder escolher seus óculos com tranqüilidade, conforto, muita orientação e acompanhado por um cafezinho.

O local? Rua Guararapes, 476 - Brooklin
Contato: (11) 5531-3479

Aqui é feito o cafezinho ...
... e servido nestas xícaras 

Óculos Vinilyze feitos de discos de vinil  
Exclusividade da Bless
Detalhe das cadeiras
Para carregar os óculos junto ao corpo











... nem sempre foi assim, um prazer em adquirir e usar óculos

Hoje em dia é natural buscar um médico especialista para receitar lentes corretivas quando há dificuldade de visão. Também é natural e até prazeroso aliviar a claridade de um dia de sol com óculos escuros.

Mas nem sempre foi assim. A história dos óculos é imprecisa, pois a tentativa de melhorar a visão vem desde um remoto período antes da era cristã.

A literatura refere que a primeira referência histórica sobre a existência de aparatos ópticos está registrada nos textos do filósofo chinês Confúcio, 500 anos antes de Cristo. Peças de vidro eram utilizadas apenas pelos nobres chineses como objetos de adorno para discriminação social em relação às pessoas do povo, sem outros objetivos.
Por longo tempo os filósofos desvalorizaram a visão em prol da importância das características emotivas pessoais para o crescimento do ser humano.

Também há registro de uma peça tipo máscara, feita de osso pelos esquimós antigos, que possuía uma fenda horizontal para limitar a entrada dos raios solares e proteger a visão. A foto, bem como a maioria dos dados históricos aqui descritos, foi obtida do livro Eyewear, a Visual History, de Moss Lipow, 2011.

Esquimó com artefato óptico para proteção solar
No século I depois de Cristo algo parece ter mudado. O imperador Nero passou a utilizar uma esmeralda para assistir às famosas lutas públicas dos gladiadores nas arenas romanas.

Logo a partir do desenvolvimento da escrita foram desenvolvidas as primeiras lentes com o objetivo de corrigir a visão. Na Idade Média muitos monges passavam sua vida copiando manuscritos e a deterioração da visão pela idade, que agora já atingia a expectativa acima da quarta década, estimulou a busca por algum material auxiliar. Pedras como o cristal de rocha e especialmente o berilo, chamada de pedra da visão, foram os protótipos das futuras lentes corretivas. Cortes finos da pedra eram colocadas sobre os textos aumentando o tamanho das letras.

No século XIII ocorreu outro avanço: durante as cruzadas, as viagens ao Oriente começaram a necessitar especialistas em contabilidade, leis e atividades mercantis. Os textos consultados referem que foi em Florença, na Itália, que foram desenvolvidos os primeiros óculos, lentes corretivas junto ao rosto, por um monge chamado Salvino degli Armati. Eram duas lentes redondas unidas por peça de osso e que exigiam extrema habilidade para serem movimentadas em busca de um ponto de maior foco de visão. Essa invenção fez com que os italianos passassem à História como os inventores dos óculos.

Este tipo de peça levou alguns séculos para se aperfeiçoar e desenvolver uma ponte nasal fixa, que posteriormente era presa atrás das orelhas. Os materiais das “armações” eram agora de osso, casco de tartaruga, marfim ou couro. Todos os óculos tinham lentes apenas redondas e eram de produção manual.

No século XIV, na China, durante a dinastia Ming, as lentes eram tingidas com chá para tratamento das conjuntivites. Nessa época os óculos eram raros e muito caros, a ponto de serem deixados em testamento com herança junto com as jóias como fez Carlos V, O Sábio, rei da França (1364-1380).

No século XVII os óculos já não eram privilégio das classes mais altas e eram comercializados por vendedores ambulantes e selecionados pelos compradores após muitas provas para escolha da lente.

Enquanto os óculos agora já eram presos por fitas de seda ou tiras de couro, inovações metalúrgicas no século XVIII levaram ao surgimento de armações de metal. Em 1785 Benjamin Franklin inventou os primeiros óculos bifocais, com duas lentes à frente de cada olho unidas pela armação possibilitando enxergar de longe e de perto em um único acessório.

É dessa mesma época que surgiram os óculos com uma só lente, os monóculos, usados pelas damas e cavalheiros da alta sociedade na Alemanha e na Inglaterra.

Outro século se passou e, em meados do século XIX houve a inovação do plástico, e sabe como? O jogo de bilhar era muito popular e apreciado na época, mas suas bolas eram confeccionadas em marfim, material que já estava em extinção. Uma empresa do ramo da época chamada Phelan and Collander ofereceu então um prêmio em espécie para quem sintetizasse um material que pudesse substituir o marfim e assim, em 1868, o norte americano John W. Hyatt inventou o celulóide. Em 1870 essa nova matéria prima aperfeiçoada e agora batizada de plástico artificial, já era produzida e comercializada na produção de óculos que agora passavam a ter cores variadas.

A emergência da cultura do consumismo e da mídia de massa auxiliou no progresso da produção de óculos. No início do século XX, no final da década de 1920, Hollywood tornou-se a referência na produção mundial de filmes de cinema e de tendências de moda. O clima quente e ensolarado praticamente obrigou o desenvolvimento de óculos de sol para as tomadas externas e atores eram fotografados utilizando-os. Se hoje exibimos óculos solares lindos e tão variados, com certeza podemos agradecer aos atores de Hollywood que estimularam seu uso, agora de melhor qualidade, como complemento estético.

Após esse longuíssimo tempo onde o formato das lentes era invariavelmente redondo, em 1931 as dobradiças foram colocadas na parte superior das armações e propiciaram a criação de novos formatos de óculos. Era a chegada dos “olhos de gato”, que substituíram com êxito os “olhos de coruja”.

Daqui para frente a história já é mais conhecida. Cada momento e público teve uma necessidade. Trabalhadores industriais necessitavam óculos com lentes maiores. Esportistas como ciclistas precisavam de óculos com maior fixação. Pilotos da Força Aérea dos Estados Unidos estimularam a criação dos famosos e ainda atuais óculos com lentes em formato de gota e a produção de lentes de melhor qualidade. A pouca durabilidade do celulóide trouxe o plástico para as armações.

Entre 1960 e 1970 era moderno um estilo menos pesado de óculos, com formas geométricas, muitos desenhos e cores brilhantes.

Butiques de óculos proliferaram e estes se tornaram cada vez mais acessórios de moda, sendo sempre considerados objetos de valor. Recordemos da grande personalidade artística musical Elton John, que até os dias de hoje nos encanta com sua imensa variedade desse acessório indispensável.

Elton John  inovou desde o início
Óculos personalizados para capa de disco
Elton com óculos vermelhos com suas inicias em Rock in Rio 2011
Talvez um dos maiores colecionadores
Óculos passaram a ser produzidos em países asiáticos, com preços inatingíveis e desencadearam novas estratégias do mundo ocidental. Como havia poucos produtores específicos, casas de alta costura, de prestígio, foram licenciadas para a produção sofisticada dessas peças tão valorizadas, e as que mais investiram foram as italianas.

Acompanhando tudo o que expusemos também está o progresso da Medicina, com profissionais cada vez mais especializados e equipamentos especiais que realizam medições cada vez mais precisas. Ocorreu também grande evolução das lentes, que, de usadas inicialmente apenas para a visão de perto, para leitura, passaram a ser desenvolvidas para a correção da hipermetropia. As lentes corretivas para miopia começaram a ser vendidas somente no século XVI .

No século XIX, um grande avanço foi conseguido na fabricação de lentes corretoras dos erros de refração quando, em 1801, o cientista inglês Thomas Young descobriu o astigmatismo. O astrônomo inglês George Airy foi o primeiro indivíduo a receber os benefícios da correção dessa deficiência.

Em 1875, ocorreu um novo avanço da ciência. Nagel criou a escala de medidas refrativas (dioptrias), adotadas internacionalmente.

A introdução dos multifocais foi em 1959, e foram desenvolvidas por Bernard Maitenaz.

Agora estamos no século XXI, com constantes novidades tecnológicas, lentes cada vez mais individualizadas para dar perfeição à visão, anti-reflexo, proteção ultravioleta, materiais mais leves, infinitos modelos de óculos que marcam tendências com muita rapidez, acompanhando os momentos culturais e evolutivos do mundo. E é neste momento que ópticas como a Bless têm uma importância especial, pois trazem o que há de mais atual em qualidade, beleza e originalidade para agradar aos olhos e, lógico, à visão.

Este é meu
Este também já é meu !
Um detalhe para ser visto pessoalmente na cidade de São Paulo.








segunda-feira, 9 de março de 2015

Instituto Cervantes de São Paulo

 Uma das maravilhas desta cidade é que há espaço para tudo e todos. Em termos culturais a representatividade dos povos também se faz presente sob várias formas e isto inclui os cursos de línguas estrangeiras.

Escolas de idiomas estão difundidas exaustivamente pela cidade, porém quando se fala de língua espanhola, a referência internacional é o Instituto Cervantes.

O Instituto Cervantes é considerado a maior instituição mundial dedicada ao ensino do idioma espanhol. Foi criando na Espanha em 1991 para promover, ensinar e difundir o idioma e a cultura espanhóis e dos países de língua hispânica, e tem suas duas sedes centrais na cidade de Madrid, sendo que uma está localizada em Alcalá de Henares, local de nascimento do escritor Miguel de Cervantes.

Instituto Cervantes de São Paulo
Placa localizada na entrada
O Instituto Cervantes de São Paulo iniciou suas atividades na cidade em 1998, acompanhando a necessidade de um dos países onde, segundo o próprio Instituto, o estudo e uso do idioma espanhol vem apresentando um dos maiores crescimentos. 

As perspectivas desse crescimento foram embasadas principalmente no tratado de Assunção, firmado em março de 1991 criando o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), e na promulgação da Lei Federal n 11.161 de 5 de agosto de 2005, chamada "Lei do Espanhol". A Lei, sancionada pelo então Presidente da República Luíz Inácio Lula da Silva e assinada pelo então Ministro de Educação Fernando Haddad, tornou facultativa a oferta desse idioma em escolas do Ensino Fundamental  e obrigatória no Ensino Médio, dando a possibilidade de uma segunda língua estrangeira optativa. O ensino do idioma espanhol também deverá ser realizado pelas redes públicas de ensino no horário regular de aula dos alunos.
Embora relatado em reportagens que brechas no texto da Lei como a freqüência facultativa a essas aulas possa ter lentificado a sua implementação, o interesse pela língua espanhola tem crescido.

Voltando aos amplos objetivos e funções de atuação do Instituto Cervantes, temos:

· Organizar cursos de língua espanhola presenciais ou virtuais,

· Organizar cursos de português para estrangeiros,

· Organizar os exames e emitir Diploma de Espanhol como Língua estrangeira (DELE),

· Atualizar os métodos de ensino e a formação de professores,

· Apoiar o trabalho dos Hispanistas,

· Difundir a língua espanhola,

· Colaborar com instituições, sociedades e países Hispano-americanos na difusão de sua cultura,

· Dispor de bibliotecas abertas ao público, 

· Estimular atividades culturais, 

· Organizar anualmente simpósios internacionais obre didática e metodologia do espanhol. 

Detalhe que os Diplomas de espanhol DELE, outorgados pelo Instituto Cervantes em nome do Ministério da Educação, Cultura e Esporte da Espanha, são os únicos títulos oficiais de caráter internacional que certificam o grau de competência e domínio do idioma espanhol.

O espaço em São Paulo

O Instituto Cervantes está localizado na Avenida Paulista, 2439 e conta com espaço expositivo/cultural, boa biblioteca e auditório.

Além de acesso por várias linhas de ônibus o edifício onde está instalado situa-se ao lado da estação Consolação do Metrô.

A atividade cultural que visitei e que permanecerá até o dia 31 de março de 2015 foi a exposição de fotografias chamada Olhares Urbanos - Miradas Urbanas - São Paulo - Buenos Aires, de Bruno Giovannetti (nas fotos). A entrada é grátis.

Foto do folder do Instituto apresentando a exposição
Foto da entrada da exposição
Na Biblioteca ocorrem os Círculos de Leitura (Circulos de Lectura), com leitura supervisionada de textos em voz alta, comentários sobre obra e autor e busca de novas palavras.

Ainda na Biblioteca há o interessante Clube Cervantino do Livro (Club Cervantino del Libro). Diz o site do Instituto que é um ideal quixotesco reunir gente para ler e conversar sobre o que foi lido.Nele, a Biblioteca propõe um livro para leitura a cada início de mês, com encontro para debate ao final do período, sendo dirigido a pessoas interessadas em literatura em espanhol ou que apreciem ler e conversar sobre literatura.
Neste mês o livro selecionado foi Rimas y Leyendas, de Gustavo Adolfo Bécquer, disponível para compra no local.

Dentro da Biblioteca
BA biblioteca, bandeiras recordam a missão do Instituto
Setor de livros infantis 



Jornal espanhol com leitura muito convidativa
Detalhe da exposição com fotos de fotos de Buenos Aires

O  Instituto Cervantes hoje é a instituição de referência na cidade e no Estado de São Paulo para o ensino do espanhol e a promoção das culturas nas línguas hispânicas.

É um espaço não muito grande, mas muito interessante e agradável, que vale a pena ser visitado e principalmente utilizado.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Quaresmeira: uma planta de nome cristão, típica da Mata Atlântica

É Quaresma, tempo de Quaresmeiras, as flores do momento.

Tibouchina granulosa: a Quaresmeira
Após a Quarta-Feira de Cinzas tem início o período da Quaresma cristã e é nessa época que as Quaresmeiras mostram sua beleza com exuberante e intensa florada, cujos tons variam do rosa pálido ao roxo intenso, como que imitando os tons do interior das igrejas.

Tibouchina granulosa, conhecida como Quaresmeira ou Flor-de-quaresma, pertence à família Melastomataceae e é uma planta natural da Mata Atlântica, desenvolvendo-se bem em climas tropical, subtropical e equatorial, principalmente entre a Bahia e São Paulo. É cultivada também em outras regiões de clima tropical e subtropical da América do Sul, com registros de cultivo no sul dos Estados Unidos, ilhas do Havaí e China.

Sua família reúne mais de trinta espécies, porém em nosso meio a Tibouchina granulosa é a mais encontrada, seguida pela também conhecida Manacá da Serra (Tibouchina mutabilis).

Foto obtida de dentro do automóvel
Muito apreciada por sua beleza, é uma espécie que pode ser utilizada para arborização urbana e projetos de paisagismo. É ótima também para plantar em jardins e ruas estreitas e sob redes elétricas e mesmo quando não está florida, a árvore é bastante ornamental.

Linda rua residencial na zona sul de São Paulo
Em frente a mercado

Avenida florida
Rua arborizada com quaresmeiras


Em frente a restaurante
Em jardim de residência
Exemplar perfeito em crescimento. Floração densa.
Flores em seu esplendor
Jovem e florida
 A origem de seu nome popular, quaresmeira, se deve ao período de floração, que normalmente ocorre entre o carnaval e a páscoa, ou seja, na quaresma cristã, a maior festa do cristianismo. A tonalidade de suas flores, variando em torno da cor roxa (púrpura), remete à Paixão de Cristo e à tradição de vestimentas da Igreja Católica e outras igrejas cristãs nesse período.

O simbolismo dessa opcional tradição de cobrir as imagens sacras remete ao estímulo dos fiéis à reflexão e à renovação espiritual ao contemplar os objetos sagrados cobertos de roxo.

Como é essa árvore?  Características botânicas

A Quaresmeira é uma árvore de porte pequeno a médio, copa arredondada e densa, atingindo uma altura de 8 a mais de 12 metros, com estimativa de vida de 60 a 70 anos. O tronco é simples ou múltiplo, com 30 a 40 cm de diâmetro.

As folhas são de coloração verde escuro, simples e ovaladas. São relativamente rústicas e rígidas, têm nervuras longitudinais bem destacadas e são cobertas por discreta penugem em ambas as faces. A folhagem é perene, o que faz com que, mesmo fora da floração, a árvore se mantenha vistosa.

Detalhe das nervuras longitudinais
Frente e dorso das folhas
Rígidas folhas verde escuras
 A floração é exuberante e ocorre duas vezes por ano, de fevereiro a abril e de agosto a outubro, mas na primavera é mais intensa. As flores possuem cinco pétalas iguais e coloração intensamente roxa ou rosada e estão agrupadas em cachos afunilados.

As flores das Quaresmeiras têm o centro branco com numerosos estames alongados e retorcidos. Diferentemente da maioria das flores, elas não têm néctar, oferecendo seu pólen aos insetos, que depois que as visitam deixam seu centro avermelhado.

A Quaresmeira rosa foi conseguida através de mutações.

Folhas e flores
Detalhe das flores de cinco pétalas e centro branco
Belos estames alongados e retorcidos
Quaresmeira cor púrpura entre a  vegetação
Quaresmeira de floração rosa
Quaresmeiras roxa e rosa dando espaço para a fiação
 Os frutos são pequenos e de cor marrom, com inúmeras sementes que são dispersas pelo vento.

Seu ponto frágil são os ramos, que podem se quebrar facilmente com ventos fortes.

Um detalhe florido que recorda a religiosidade de alguns, mas que agrada os olhos de todos
 e anuncia a Páscoa.

Quaresmeira